Copio do Facebook e compartilho aqui um texto da lavra do Oficial de Cartório Luiz Cláudio, excelente policial e um cara honesto e trabalhador que antes de mais nada tem ORGULHO da sua profissão, mas nunca perde a sua “visão de mundo”, lastreada em ampla cultura geral e na análise das muitas correntes filosóficas, sociológicas e antropológicas que fazem parte do seu cabedal de conhecimentos.
Aos meus leitores, um pouco do privilégio que desfruto, segue o texto do Luiz Cláudio:
A polícia e a Sociedade!
Tenho visto aqui no Facebook inúmeras manifestações de apoio à operação que resultou na morte do bandido, facínora, que atendia pela alcunha de Matemático.
Muitos cometários a favor, muitos mesmo e alguns poucos contra, mas sempre com opiniões emocionais e afastadas da análise fria e aprofundada dos fatos e da boa técnica.
Sou policial, de formação e caráter e quero deixar claro que RESPEITO MUITO aqueles homens que estavam ali naquela operação, reconheço a sua competência, mais que comprovada em inúmeras operações de sucesso, porém, olhando com os olhos de um livre observador da sociedade e dos seus fenômenos, tenho minhas restrições ao que assisti na televisão e que a sociedade tanto festeja.
Não vou entrar no mérito técnico ou legal da questão, que aliás não vejo sendo debatido, senão nos órgãos de imprensa; aqui no Facebook só vejo opiniões pró e contra a morte do vagabundo. Mais que isso, quero trazer à nossa análise a enorme pressão que a sociedade faz sobre os policiais, para que sejam o canal de extravasamento de sua indignação, cobrando ações muito fortes, contundentes, por vezes mortais, do braço forte do estado, induzindo até, por vezes, alguns de nós policiais, a ações que, comandadas pelo stress da própria situação, pela pressão, pela emoção, acabam por realizar este desejo de vingança que a sociedade traz latente, traz nos olhos, mas que, como não quer correr riscos e sujar as mãos, cobra que sejamos os executores desta, sob o meu ponto de vista, deformação social.
A vida real não é como nos filmes de bangue-bangue, muita gente acaba confundindo isso, policiais e não policiais.
Todos, porém, sabemos que é impossível fazer omelete sem quebrar ovos, mas que, nem por isso, devemos sujar toda a mesa de gema e jogar as cascas no chão, porque certamente, depois de saborear com muito prazer a omelete, como sempre fez, a sociedade vai reclamar das cascas no chão.
Policiais são humanos que vivem sob intensa pressão o tempo todo e de todos os lados, lidam com decisões que, tomadas em segundos, podem resultar em grandes sucessos, prisões, libertações de sequestrados, recuperação de bens subtraídos, apreensões de drogas, assim como podem resultar em derrotas, pessoas mortas, por exemplo, e não importa se forem bandidos ou não. São pessoas!
Uma sociedade que acredita que matar pessoas, de qualquer forma; com julgamento, sem julgamento, com cadeira elétrica, com tiros de fuzil, em guerra ou não; enfim, uma sociedade que acredita que matar pessoas seja uma solução viável é, sem sombras de dúvidas, UMA SOCIEDADE DOENTE que não fez o seu dever de casa, não formou bem seus cidadãos e que, errando novamente, elimina-os, sem corrigir seus próprios erros, os erros de uma sociedade que sacia sua desmesurada sede de vingança, para, revigorada da sede, tornar a errar mais uma vez, num horroroso ciclo de miséria humana.
Todo o meu respeito e consideração àqueles homens de preto que expõem diariamente suas vidas ao risco, para que nós, outros, não vivamos sob este mesmo risco!
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Eis o texto!
Eis a voz da coerência!
Eis a visão ampliada do problema!
Porque quando tudo dá certo, ou melhor dizendo, quando o SANGUE NÃO É EXIBIDO em rede nacional para AMPLIAR O FATURAMENTO das emissoras e a venda dos jornais, ninguém reclama!
O Ministério Público, aquele pavão misterioso que só “aparece” para trabalhar ou “investigar” quando lhe é conveniente, ARQUIVA os Autos do Inquérito Policial.
O Judiciário, de forma célere e muito apropriada ao governo, também se apressa em “acompanhar” a manifestação do Parquet.
Afinal, era uma Operação Conjunta da FEDEral (e o Secretário é “da casa”), com a PMERJ e a PCERJ, em perfeita integração de efetivos e “vontades”.
O que poderia estar errado, se o objetivo sempre foi a PACIFICAÇÃO ELEITOREIRA, voltada para os Grandes Eventos que estão às portas do Brasil e do Rio de Janeiro?
Mas aí…
Bem, aí a REDE GLOBO pega “carona”, percebendo o potencial de polêmica inerente ao caso, após saber que o vídeo fora entregue no Ministério Público Federal, Estadual e na Comissão de Direitos Humanos da ALERJ, resolve dar o “furo” de reportagem no Fantástico!
Está iniciado o CIRCO POLÍTICO, o festival de EVASIVAS, a sequência de entrevistas com “especialistas”, todos PAUTADOS e COMPROMETIDOS FINANCEIRAMENTE com a CONDENAÇÃO da operação!
Dois Oficiais da Polícia Militar de SÃO PAULO são ouvidos. Todos humanistas, membros daquela mesma polícia que atirou em PRESOS DESARMADOS no Carandirú e que emboscou um ônibus de bandidos em um pedágio.
A mesma polícia que (segundo algumas publicações da mídia paulista) seria suspeita de após os atentados do PCC ter saído à caça de seus agressores e produzido uma série de EXECUÇÕES típicas de Esquadrões da Morte no estado, muitas até hoje não apuradas ou resolvidas.
Mas no Fantástico, o “patrão” queria uma CONDENAÇÃO!
E neste sentido seguiram também os dois Oficiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro que deixaram o BOPE para entrar para a literatura e o cinema, narrando TORTURAS, ASSASSINATOS, ESPANCAMENTOS e VIOLÊNCIAS testemunhadas (Será que foram praticadas?) por ambos.
E, se somente testemunhadas foram, não teria o Agente Público o DEVER DE AGIR, sob pena de incorrer no crime de PREVARICAÇÃO?
Mas naquele domingo, ser neutro, analisar a Operação Matemático no seu contexto não era possível, afinal O PATRÃO PAGA MUITO BEM para atacar as instituições, sejam elas MILITARES ou CIVIS e agora os “especialistas” só tem compromisso com seu “emprego” de comentaristas.
Nem mesmo o fato de o BOPE ter recebido permissão para adquirir uma metralhadora do mesmo tipo embarcada no helicóptero da CORE/SAER é lembrado pelos “capitães Nascimento”.
Quanta conveniência…
Mas e o fato de a FEDERAL ter organizado, coordenado e contabilizado a morte do Matemático? Não é relevante?
O armamento não pertencia à Federal e não estava na aeronave por “empréstimo”?
E o fato de a Secretaria de Segurança ter promovido uma Coletiva de Imprensa à época com TODOS JUNTINHOS, para dourar o discurso político da INTEGRAÇÃO (ou seria ENTREGAÇÃO?)?
Isso também não interessa?
Sabiam à época e agora a responsabilidade é do Setor de Operações?
Ou melhor dizendo, o: “setor especializado nessas ações tem que dar uma resposta à sociedade e quem teve a responsabilidade de agir tem que ter a responsabilidade de arcar com as consequências”.
Concordamos com o, sempre coerente e ponderado, Secretário Beltrame!
Quem teve a RESPONSABILIDADE de agir também deveria ter a RESPONSABILIDADE de assumir!
Afinal, tirar o “corpo fora” não seria coisa DE HOMEM, certo?
E o que dizer do Ministério Público e do Judiciário, que rapidamente “fecharam” com o Caudilho do Momento para manter a imagem do Rio de Janeiro diante das Instituições Internacionais de Direitos Humanos, permitindo que as VERBAS dos Grandes Eventos continue entrando nos cofres e os negócios dos empresários funcionando, tendo arquivado a toque de caixa a investigação?
Nada disso foi levantado na matéria?
Porque?
Porque APENAS os pilotos e os atiradores do Helicóptero estão na berlinda?
Considerações, pensamentos, análises, questionamentos que a sociedade, os “antropólogos”, “sociólogos”, astrólogos, numerólogos e policiólogos deveriam destacar.
Mas…
O “patrão” paga MUITO BEM para criticar e enxovalhar o bom nome de Policiais, então…
Refletir para quê, não é mesmo?
Buscar conhecer a VERDADE para que, não é mesmo?
Quantos aos POLICIAIS CIVIS, convidamos todos a uma reflexão mais profunda sobre sua forma de atuar e de fazer polícia, porque não nos é facultado alegar o desconhecimento das Leis!
Não somos INIMPUTÁVEIS, como uma ou outra categoria de “especialistas” esquizofrênicos e com má formação cerebral e, portanto, temos de ser mais RESPONSÁVEIS para com as nossas famílias e nossa instituição, porque NO FINAL serão muitos aqueles que irão nos abandonar à própria sorte.
Vida que segue…
Tudo continua na maior tranquilidade no País das Maravilhas!